Devido a uma somatória de fatores como posição geográfica, condições climáticas e correntes, Ilhabela virou um verdadeiro cemitério de navios, com mais de cem naufrágios registrados (a segunda maior concentração de naufrágios do Brasil). Deste contingente, existem vários navios entre 5 e 48 metros que podem ser visitados com diferentes graus de dificuldade.


     ilha conta com uma boa infra-estrutura de mergulho sendo possível alugar equipamentos diretamente nas operadoras e pegar uma das várias opções de saídas de barco disponíveis. Procure mais informações na seção saídas /turismo. Veja a seguir alguns dos naufrágios em Ilhabela.

Naufrágio Velasquez

      Construído em 1906, o Velasquez, navio de bandeira inglesa, com 7.500 toneladas, fazia a rota Buenos Aires a Nova Yorque no começo do século, transportando carga e passageiros. A 16 de janeiro de 1908, pouco depois de zarpar de Santos, sob denso nevoeiro e enfrentando um mar grosso, o navio chocou-se contra rochas na Ponta da Sela, sofrendo sérias avarias no casco. Felizmente todos os tripulantes e passageiros conseguiram abandonar o navio, refugiando-se na Praia do Veloso. Um outro navio, o Milton, veio em socorro no dia seguinte, resgatando os passageiros e a correspondência que o navio transportava. Devido ao mar agitado foi impossível recuperar a bagagem dos passageiros, que passou a fazer parte da paisagem submarina local.

      O ponto onde se encontra o Velasquez é identificado por uma pedra que aflora cerca de um metro na superfície d'água, em uma reentrância do costão ao sul da Ponta da Sela. A profundidade dos destroços varia de 9 a 25 metros, com poucas correntes e visibilidade média de 4 a 8 metros.



      Com a visibilidade limitada e a falta de luz, é difícil ter uma visão global do sítio do naufrágio, entretanto dá para identificar as caldeiras, virabrequins e as bielas do motor. Algumas partes grandes do casco ainda estão inteiras, permitindo a entrada dos mergulhadores.

      Devido ao seu tamanho e pelo fato de estar espalhado pelo fundo, é impossível conhecer todo o sítio em um único mergulho, até porque o visual fascinante chama mais mergulhos, mas atenção, preste atenção aos limites de mergulho sem descompressão, e não esqueça as regras de tempo de superfície para os mergulhos repetitivos.



      A fauna local é um pouco pobre, composta basicamente de peixes regionais pequenos e médios, como salemas, bodiões, donzelas e garoupas. Poliquetas brancas formam um visual muito legal, contrastando com as ferragens escuras do navio. O Velasquez é excelente para foto e vídeo, porém é indispensável a utilização de um bom flash externo, no caso de máquinas fotográficas, e uma boa fonte de iluminação para as filmagens.

 Ficha Técnica
 Nome e Bandeira : Velasquez - Inglaterra.
 Medidas : 7.500 toneladas de deslocamento.
 Tipo : Cargueiro.
 Carga : Café e malas postais.
 Ano do naufrágio : 1908.
 Causa Oficial : Choque.
 Localização : Próximo à ponta da Sela.
 Profundidade : Entre 9 e 25 metros.
 Estado : Desmantelado.


Naufrágio Dart

      Construído em um estaleiro inglês em 1883, com 105 metros de comprimento e 2.641 toneladas, o Dart era considerado um navio luxuoso e eficiente para os padrões da época. Misto de veleiro e vapor, servia tanto para transporte de passageiros como de carga, transportando café e barões entre Santos e Nova Iorque.



     Saindo de Santos a 11 de setembro de 1884, previa uma escala no Rio de Janeiro, onde seria embarcada a maioria dos passageiros. Sete horas depois de zarpar, um erro de navegação provocou o choque do Dart contra as rochas do sudoeste da Ilhabela,. Segundo relatos, o navio bateu de proa, girou sobre o próprio eixo e bateu novamente de lado nas pedras a meia-nau.

     Partido ao meio, o navio afundou aos poucos, permitindo o resgate de seus 55 tripulantes e 5 passageiros, a carga de 20 mil sacas de café foi totalmente perdida. Tempos depois, os habitantes da ilha descobriram muitas peças dos refinados aparelhos de jantar do navio, e passaram a saquea-lo, por esta razão passou a ser chamado popularmente de "navio das louças".

     O Dart está afundado na enseada próxima ao Morro do Simão, a sudoeste de Ilhabela. Os destroços estão a 30 metros do costão a profundidades que variam de 5 a 11 metros, a visibilidade varia muito, indo de 2 a 8 metros, dependendo das correntes, condições do mar e climáticas. A fauna local é típica da região, com espécimes de pequeno e médio porte.

     Apesar de estar totalmente espalhado pelo fundo, ainda é possível ter uma idéia de como era o navio. A estrutura do cavername permanece conservada, sendo facilmente identificadas a proa, com suas duas âncoras e correntes, e a popa, onde pode ser visto o leme.

     Mergulhar no Dart é como mergulhar na história. É estranho imaginar que aquele monte de ferros retorcidos foi um dia motivo de orgulho de seus armadores e proprietários, que foi construído no século passado, antes mesmo do nascimento dos nossos avós.

     O acesso ao Dart pode ser pelo mar através de lanchas e barcos disponíveis nas operadoras locais . Alguns aventureiros enfrentam as encarpas do costão e chegam ao local por terra, mas convenhamos que é difícil descer e subir as pedras carregando o pesado equipamento . Guarde suas energias para o mergulho, vale a pena.

 Ficha Técnica
 Nome e Bandeira : Dart - Inglaterra.
 Medidas : 105 m de comprimento, e 2.641 toneladas de deslocamento.
 Tipo : Cargueiro e passageiros.
 Carga : Café.
 Ano do naufrágio : 1884.
 Causa Oficial : Erro de navegação.
 Localização : Enseada próximo ao Morro do Simão, a 30 metros da costa.
 Profundidade : Entre 5 e 11 metros.
 Estado : Desmantelado.


Naufrágio Therezina

      Durante várias décadas, acreditava-se que o Therezina estava afundado junto a uma outra embarcação chamada Ziegmond, que teria ido a pique quase na mesma época. Um estudo sério do paulista Cao Scarpinni, mergulhador e pesquisador dos naufrágios de Ilhabela, colocou por terra esta versão, a mais aceita atualmente é de que os dois navios são na verdade um só.

     Construído em 1905 na alemanha, o cargueiro media 97 metros de comprimento, foi transformado em navio de transporte da marinha de guerra alemã durante a primeira guerra mundial. Em 1915 foi confiscado pela marinha brasileira quando navegava em águas territoriais, sendo pouco depois incorporado ao Lloyd Brasileiro.

     Na madrugada de 2 de fevereiro de 1919, poucas horas depois de sair do Porto de Santos levando um carregamento de grãos, com destino a Havre, na Holanda, o Therezina bateu no Costão dos Borrifos, afundando poucas horas depois. O motivo mais provável do acidente foi o denso nevoeiro que cobria a região naquela noite, o impacto foi tão forte que o casco partiu ao meio. Os treze tripulantes se salvaram

     Os destroços estão localizados a cerca de 100 metros do costão, em profundidade de 8 a 17 metros. A visibilidade varia de 3 a 10 metros, chegando a até 12 em dias muito bons. Apesar de completamente desmantelado, ainda dá para identificar a casa das máquinas, duas caldeiras e o enorme virabrequim.



     Mais ou menos no meio do navio existe uma carcaça grande de um motor, na proa pode-se ver a âncora e as ferragens retorcidas pelo impacto no costão, na popa é você vai encontrar algumas peças, um guincho e a roda do leme. Depois de 80 anos submersos, os destroços estão totalmente cobertos de algas, cracas e esponjas, formando um lindo visual colorido. Peixes pequenos e médios e crustáceos típicos da região habitam o sítio do naufrágio.

 Ficha Técnica
 Nome e Bandeira : Therezina - Brasil.
 Medidas : 97 m de comprimento.
 Tipo : Cargueiro.
 Carga : Café, sacarias diversas e malas postais.
 Ano do naufrágio : 1919.
 Causa Oficial : Colisão.
 Localização : Borrifos, a 100 metros do costão.
 Profundidade : Entre 8 e 17 metros.
 Estado : Desmantelado.


Naufrágio Prícipe de Astúrias

      Maior naufrágio da costa brasileira, o navio espanhol "Príncipe de Astúrias" naufragou em 1916, na Ponta da Pirabura, no extremo sul de Ilhabela, deixando como saldo a trágica cifra de 477 mortos.

     Orgulho da marinha mercante espanhola, o Príncipe de Astúrias tinha 150 metros de comprimento e deslocava 17.000 toneladas. Foi construído em 1914 no estaleiro inglês de Glasgow, possuindo capacidade de transportar até 1.300 passageiros.

     O navio fazia a rota Madri - Buenos Aires, seu manifesto de carga acusava uma valiosa carga de cobre, estanho, chumbo e, possivelmente, 40.000 libras esterlinas destinadas a uma agência bancária de Buenos Aires. Levava também uma estátua de bronze do General San Martin, que seria doada ao governo argentino, além dos 590 passageiros que estavam a bordo.

     Na madrugada do dia 6 de março de 1916, por volta de 3 horas da manhã, o navio entrou em um denso nevoeiro com tempestade, com ondas de até 6 metros de altura. Aparentemente a tripulação não avistou o Farol da Ponta do Boi. Bateu violentamente nas rochas, o casco sofreu sérias avarias da proa até a meia-nau, 3 minutos depois as caldeiras explodiram e, apenas 5 minutos depois do primeiro impacto, o Príncipe de Astúrias submergiu completamente.

     O número elevado de 477 vítimas fatais poderia ter sido maior, não fosse o heróico resgate feito pelos tripulantes do navio inglês "Vega", que estava nas proximidades no momento do acidente.

     No dia seguinte, na baia dos Castelhanos, os caiçaras se depararam com a macabra cena de dezenas de corpos espalhados pela areia e costeiras. Nos dias subsequentes, objetos de prata, porcelana e caríssimas roupas de seda vieram dar à praia. Até hoje alguns caiçaras exibem orgulhosos para os visitantes os pratos e talheres de prata recolhidos na época.

     Os restos do navio estão situados entre 25 e 48 metros de profundidade, em local de águas agitadas e fortes correntes, sendo que a visibilidade é muito ruim devido à suspensão. Por estas razões o mergulho só deve ser feito por mergulhadores muito experientes e dentro de um esquema bem elaborado, utilizando-se cabos guia, cilindros extras para a parada de descompressão, lanternas, cordas e equipamento sobressalente.

     O navio está desmantelado, mas ainda é possível penetrar em algumas partes, e circular por entre os cabos e vigas. Empresas de salvatagem submarina andaram recuperando alguns objetos do navio mas a dificuldade de mergulho no local não produziram os resultados esperados.

     Se você pretende visitar o Príncipe de Astúrias, procure formar um grupo experiente e coeso, composto de pelo menos um dive master que já tenha mergulhado no local, converse com as operadoras da região e planeje muito bem a operação: equipamento, tempo de fundo, tempo de parada, etc. Informe-se antes sobre as condições do mar, quase sempre é impossível descer no local devido às ondas e correntes fortes.

 Ficha Técnica
 Nome e Bandeira : Príncipe de Astúrias - Espanha.
 Medidas : 150 m de comprimento, e 17.000 toneladas de deslocamento.
 Tipo : Turismo e carga.
 Carga : Cobre, estanho, chumbo e passageiros.
 Ano do naufrágio : 1916.
 Causa Oficial : Tempestade.
 Localização : Ponta da Pirabura, extremo sul de Ilhabela, a 100 m da costa.
 Profundidade : Entre 28 e 48 metros.
 Estado : Desmantelado.


Naufrágio Concar

      Um dos naufrágios mais recentes de Ilhabela, o cargueiro espanhol "Concar" foi a pique em outubro de 1959, após se chocar com as pedras da Ponta da Piraçununga, no lado Leste da ilha.



     O navio fazia a sua viagem inaugural na rota Málaga - Assunção, transportava uma carga de azeite de oliva, azeitonas, massa de tomate, etc, além de 800 toneladas de óxido de ferro. O navio seguia em velocidade normal e com mar calmo, aparentemente por erro de pilotagem, desviou da rota e bateu em cheio nas pedras.

     A tripulação abandonou imediatamente a embarcação, mas o Concar ficou flutuando ainda um bom tempo antes de sumir sob as águas. A valiosa carga se espalhou pela superfície, sendo recolhida pelos pescadores e caiçaras.

     Para felicidade da população nativa, durante vários dias caixas do mais puro azeite de oliva espanhol e latarias variadas vieram dar nas praias da região, que a utilizaram para as mais estranhas finalidades, como azeite de combustível das lamparinas. Alguns até pintaram os casebres com extrato de tomate, deve ter ficado lindo.

     Os restos do "Concar" estão a profundidades que variam de 6 a 22 metros, em região de mar um pouco agitado e correntes de média intensidade. A visibilidade não é das melhores, devido à suspensão que normalmente cobre o local, indo de 3 a 8 metros, nos melhores dias.

     O navio está bastante inteiro, sendo possível fazer incursões em algumas partes internas. A natureza já se encarregou de cobri-lo com uma camada colorida de algas e cracas, formando um visual muito legal. Infelizmente, como em quase toda a costa de Ilhabela, a quantidade de peixes não é muito grande, composta basicamente por donzelas, garoupas, borboletas, etc, mas de vez em quando pode-se deparar com alguns peixes de passagem.

     Se tiver um bom equipamento de fotografia ou vídeo, pode conseguir imagens muito boas em close-up, curta e média distância. É indispensável o uso de um bom flash e sistema de iluminação adequado.

 Ficha Técnica
 Nome e Bandeira : Concar - Espanha.
 Medidas :
 Tipo : Cargueiro.
 Carga : Azeite de oliva, azeitonas e outras.
 Ano do naufrágio : 1959.
 Causa Oficial : Tempestade.
 Localização : Ponta de Piraçununga, a 200 metros da costa.
 Profundidade : Entre 6 e 22 metros.
 Estado : Inteiro.


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