Baleia-franca: Enfim a Proteção

 

Finalmente uma boa notícia no campo da proteção ambiental no Brasil. Está para ser aprovado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a criação da Área de Proteção Ambiental da Baleia-Franca (APA), no litoral de Santa Catarina, no sul do país. A área de proteção vai desde o Farol de Santa Marta até o sul da Ilha de Santa Catarina, numa faixa de 100 quilômetros de extensão por 9 de largura.


Dentro desta área as Baleias-Franca se reúnem a cada três anos, entre os meses de maio e outubro, para reprodução e amamentação dos filhotes até que adquiram peso e tamanho suficientes para enfrentar o oceano.

A Franca foi uma das primeiras espécies de baleias a ser caçada, quase desaparecendo do oceano devido às técnicas predatórias empregadas. De nado lento e hábitos costeiros, o animal chega a se aproximar a até 30 metros da praia, sendo muito cobiçada pelos caçadores. Outra característica que contribui para a caça intensiva da espécie é a enorme quantidade de gordura que guarda no corpo, depois de arpoadas e mortas ficam boiando na superfície, o que facilita as operações dos baleeiros.

A industria de caça às baleias na região começou a partir do século XVIII, desde então o abate indiscriminado veio sem nenhum controle até o ano de 1935, quando a Liga das Nações estabeleceu a Convenção Internacional para Regulamentação da Caça às Baleias. No Brasil entretanto a caça só veio a ser proibida em 1973, quando a espécie estava quase extinta em águas brasileiras. Estima-se que hoje existam apenas 7000 indivíduos da espécie nadando pelo mundo, mas os esforços de preservação tem obtido resultados bastantes alentadores.

Existem duas espécies de Baleia-Franca no mundo: a boreal, que habita o Atlântico Norte e a austral, que vive no Atlântico Sul. Os filhotes nascem com aproximadamente 4,5 metros e se desenvolvem rapidamente podendo atingir até 18 metros de comprimento e até 80 toneladas de peso. A alimentação básica é composta de krill.

A espécie é facilmente identificada pelo corpo negro manchado de branco na barriga e as verrugas branco-amareladas sobre a cabeça. Outra característica marcante é a cauda larga , a nadadeira peitoral no formato de trapézio e o borrifo em forma de "V".

Em geral vivem em grupos de três indivíduos, o acasalamento ocorre apenas a cada três anos, sendo que o flerte entre os machos e fêmeas é feito com grande estardalhaço, os machos ficam dando cabeçadas entre si até se sangrar, mas as fêmeas acabam mantendo relações sexuais com todos os membros do grupo.

Apesar de tardia, a decisão do governo federal de criar o APA veio em boa hora. Esperamos que iniciativas como esta não se resumam em uns poucos fatos isolados com a única finalidade de desviar a atenção pública do total descaso com que as autoridades brasileiras vem tratando o assunto nos últimos tempos.

Desenvolvimento e preservação podem andar de mãos dadas, gerando resultados sempre melhores do que a simples destruição e matança indiscriminada de recursos. Em vários locais do mundo as baleias são uma importante fonte de divisas, não como caça mas sim como turismo. As comunidades de Santa Catarina só terão a ganhar se souberem aproveitar o potencial turístico que é poder apreciar os grupos de Baleias-Franca evoluindo tranqüilamente e em segurança a apenas uns poucos metros da praia.

 

Lucio Magalhães

Copyright © 1999 LHC Mergulho.Todos os direitos reservados.